Como controlar a fome emocional

Todos nós somos um bocadinho emocionais com a comida. Eu, confesso, sou muito emocional neste sentido. Se estiver preocupada ou mais em baixo perco o apetite por completo, se estiver muito calor há muitos alimentos que não me apetecem comer, se estiver stressada quase tudo me cai mal, se viajar fico com imensa vontade de comer alimentos gordos ou cheios de açúcar. Mas há um pormenor interessante que eu já reparei em mim e em muitas pessoas que vêm as minhas consultas, quando estamos felizes e de bem com a vida (ainda que seja só num dia) comemos de forma mais equilibrada. 

Muitas pessoas confundem a fome emocional com a incapacidade de terem força de vontade para comerem de forma equilibrada. No entanto, esta ideia pode não ser tão linear quanto parece, uma vez que comem para preencher um vazio ou para suportar uma determinada emoção. Ao escolhermos “afogar as mágoas” na comida, estamos quase que a por de parte a resolução de um determinado problema, e a ir buscar algum conforto nos alimentos. Acabamos por usar a comida como um refugio ou um conforto que nos permite sentir uma sensação mais apaziguadora, quando não nos provoca o efeito contrário de pensarmos “por que é que eu fui comer isto? Agora vou ter que fazer dieta o resto da semana.”. A comida é boa, é um solução barata, está sempre lá para nós, não nos repreende e serve para alimentar os nossos corações irrequietos.

Por isso, antes de entrarmos numa espiral de desespero e de acharmos que não conseguimos levar nenhuma dieta avante porque não temos qualquer tipo de auto controlo, vamos rever aqui algumas das estratégias que dou nas consultas para controlarmos este impulso de comer antes de pensarmos.

Prestar atenção à razão que nos faz comer de forma impulsiva

Sempre que sentimos que estamos a comer desnecessáriamente, de forma impulsiva ou por conforto devemos tentar perceber o que pode estar a causar isso. Será o stress do trabalho? A agitação das rotinas em casa? Será um desgosto amoroso? Será que nos sentimos extremamente aborrecidos com as nossas vidas? Ou sentimo-nos só sozinhos? Será que não paro de pensar no croissant daquela pastelaria desde que a minha nutricionista me disse que não o podia comer? 🙂

Quando percebemos a raiz do nosso problema torna-se muito mais fácil resolvê-lo. A sério,  isto entra já num campo de análise psicológica mas é tão simples quanto parar e compreender os sinais. Depois é preciso passar à parte chata e que dá imenso trabalho, a resolução! Tal como peço sempre para me fazerem um diário alimentar para perceber onde estão as coisas boas e as coisas más, ás vezes também peço para me fazerem um diário emocional. Do género “Sentia-me chateado por isso mandei vir uma pizza. Sentia-me frustrado no trabalho por isso fui à máquina comprar um chocolate”. No fundo tento perceber que alimentos cada um de nós liga a cada estado emocional. E depois peço para fazermos um exercício conjunto de pararmos um bocado, percebermos que estamos chateados, e pensarmos “Ok, que outras hipóteses temos além de mandar vir uma pizza?

A) Ligar a um amigo/Conversar com alguém que tenha paciência para nos ouvir

B) Ir dar uma volta

C) Ver uma comédia

D) Fazer exercício físico (desculpem-me aquelas pessoas que quando estão chateadas se querem fechar em casa e papar um gelado mas eu quando estou mesmo com os azeites adoro correr ou ir ao ginásio. As endorfinas que libertamos durante a actividade física deixam qualquer mal-disposto num doce 🙂

Comer de forma consciente

Além deste reconhecimento todo, outra coisa que não nos faz mal nenhum é reconhecermos aquilo que referi acima. Será que ao comer aquela pizza me fiquei a sentir melhor? Ou depois ainda tive que lidar com a chatice de ter que abater a pizza? No meu caso, posso dizer-vos que a primeira coisa que me ocorre quando como de forma emocional é “Ok, amanhã são 2h de ginásio ou corridas de 1h30”. No entanto, algo de muito giro acontece quando eu como conscientemente coisas que sei que me fazem mal mas que não como de forma emocional. Ou seja, não tenho nenhum destes pensamentos auto-mutiladores se for jantar com amigos e me apetecer comer uma pizza e um copo de vinho. Porque conscientemente, num bom ambiente, resolvi comer assim.

Não criar restrições alimentares

Quando colocamos restrições próprias na comida e comemos desta forma impulsiva, é normal que nos sintamos mal depois. Mas por outro lado, a mesma comida, num contexto diferente e ingerida de uma forma tranquila e consciente, provoca-nos um efeito totalmente diferente. É como se fossem 2 cenários de batalha (contra as calorias vá), um em que ela chega sem aviso, outro em que temos tempo de nos armar e criar uma estratégia 🙂

Comer quando temos fome

Se forem tão dados a horas como eu, àquela hora lá estão a pensar no lanche ou no almoço. Porque é a hora a que estamos habituados a comer. Mas, muitas vezes, não precisamos de comer, precisamos só de estar atentos aos sinais do corpo.

Quando chegar essa altura pensem assim “Comia brócolos agora?” Se  a resposta for sim então têm mesmo fome, se a resposta for “brócolos não mas umas bolachinhas até iam” esqueçam, ainda não têm fome suficiente 🙂

Já me aconteceu também, quando estou em casa de alguém ou vou a um restaurante e me mostram as sobremesas ou dizem o que há na lista, pensar assim “será que este bolo vale as calorias?”. Só de pensar desta forma já estou a questionar a minha fome que, sejamos sinceros, depois de um almoço ou jantar, não será muita. Depois, sendo eu tão esquisitinha no que toca a doces, confesso que prefiro poupar as calorias de 10 fatias de bolo e comer umas boas colheradas de nutella eheh mas cada um com as suas especificidades. A ideia é pensarmos duas vezes “Preciso disto? Apetece-me mesmo? Posso dividir com outra pessoa?”

Respeitem o vosso corpo

Não se auto imponham restrições nem se “auto-mutilem” psicologicamente, claro, quando comem alguma coisa que sabem que não é assim tão saudável. Muitas pessoas desistem de seguir uma alimentação saudável ao fim dos primeiros dias da mudança de hábitos que muitos chamamos dieta. Temos que perceber que o corpo se vai queixar, claro, ele gosta é de docinhos e nós estamos a dar-lhe alface. Mas, com um bocadinho de consciência e força de vontade, ele habitua-se, até porque o corpo age de acordo com aquilo que nós queremos 😉 Nós é que ditamos o “preciso de açúcar” ou “sinto-me tão fraquinho” como ouço tantas vezes. Nós é que somos os piegas que não gostamos da mudança inicial. Mas como em tudo, acabamos por nos habituar.

Por isso pensem antes “Estava mesmo a precisar, soube-me pela vida, mas agora vou comer uma coisa leve e saudável para compensar”. E pronto a vida continua e não ficou nada pelo caminho 🙂

Se quiserem perceber melhor como podem contornar estes desafios e desabafar estes problemas comigo, mandem-me uma mensagem por aqui e marcamos uma consulta.

Mafalda

Fotografias CV Love

0 Comentários

Deixar Comentário