Os alimentos que as pessoas mais saudáveis nunca consomem

Se eu tivesse que adivinhar um grupo de alimentos que as pessoas mais saudáveis não consomem diria produtos ultraprocessados… Isto é, claro, no dia-a-dia porque, “dias não são dias”. E por falar nisto, gostava de referir que há muitas pessoas que têm em sua posse os conhecimentos necessários para fazer uma alimentação muito saudável e adequada e não o faz porque os “dias que não são dias” de repente, são todos os dias. Com a vida que levamos, com um horário médio de trabalho das 9h-18h, é normal que haja muita abertura para os eventos sociais decorrerem à volta da mesa. Mas posso dizer-vos uma coisa, as pessoas mais saudáveis tentam ser disciplinadas e fiéis às suas crenças e objetivos e irão (quase) sempre procurar o alimento mais saudável da mesa.

A alimentação saudável tem como base o consumo de alimentos reais com uma matriz alimentar completa e minimamente processada. Nos últimos anos temos vindo a modificar os alimentos de modo a criar produtos alimentares baratos, com elevada durabilidade e cheios de sabor (isto implica muitas vezes a utilização de corantes e conservantes) sem considerar as consequências dos processos e as repercussões dos mesmos na nossa saúde.

 

Então, o que são os alimentos reais?

Os alimentos reais são todos aqueles que não sofrem qualquer tipo de processamento, são minimamente processados ou cujo processo industrial ou artesanal não piorou a qualidade da composição dos mesmos, nem interferiu negativamente com os nutrientes neles presentes. Resumindo, são geralmente alimentos que não necessitam de rótulo, tais como:

– Fruta

– Vegetais e hortaliças

– Frutos secos e sementes

– Leguminosas

– Peixe e marisco

– Ovos

– Carnes

– Cereais integrais

– Azeites virgens

– Leite

– Café, cacau e infusões

– Ervas aromáticas e especiarias

 

O que são os ultraprocessados?

Os ultraprocessados são alimentos que sofreram processamentos onde se adiciona, retira, mistura, texturiza, etc. uma série de ingredientes de baixa qualidade nutricional e onde o próprio processamento afeta negativamente a qualidade do produto final. Estes produtos podem ser, muitas vezes, vendidos como alimentos. No entanto, sabe-se que fisiologicamente, têm efeitos prejudiciais no nosso organismo. O significado de alimento é: aquilo que se come ou que pode ser comido. Ou seja, refere-se ao conjunto de substâncias que os seres vivos comem ou bebem para existir. O grande problema é que hoje em dia existem inúmeros alimentos que nos fornecem energia, mas também nos prejudicam a curto, médio e longo prazo pela péssima qualidade nutricional dos ingredientes que os compõem. Por esta razão, são “produtos” e não “alimentos”, tais como:

– Refrigerantes

– Bebidas energéticas

– Sumos embalados

– Lácteos açucarados

– Bolos de pastelaria

– Pão branco (composto por farinhas refinadas)

– Carnes processadas

– Pizzas comerciais

– Bolachas empacotadas

– Cereais refinados e barrinhas de cereais

– Refeições prontas a consumir ou pré-cozinhadas

– Batatas fritas

– Doces (rebuçados, gomas, chupas, etc.) e gelados

– Produtos dietéticos

– Molhos comerciais

Não há nenhum produto processado considerado saudável?

Sim, há. Os alimentos reais podem incluir alguns produtos processados: os bons processados, que são alimentos reais que sofreram um processamento industrial ou artesanal mínimo, benéfico e inócuo para a qualidade dos alimentos, respetivamente às suas propriedades saudáveis. Neste caso falamos de:

Alimentos de segunda gama: alimentos reais em conserva e semiconserva;

– Alimentos de terceira gama: alimentos reais congelados/ultracongelados;

Alimentos de quarta gama: alimentos reais empacotados em atmosferas modificadas;

– Alimentos de quinta gama: combinações de alimentos reais cozinhados e empacotados, entre outros.

No fundo, o único requisito é que todo o processamento não interfira negativamente com a qualidade do(s) alimento(s). O foco é exclusivamente a qualidade dos alimentos.

Existem alimentos que precisam de ser processados para serem nutricionalmente seguros, como é o caso do leite, que precisa de ser pasteurizado para remover as bactérias que podem ser prejudiciais à saúde. Para obter óleos e pastas de sementes e frutos secos também é preciso tritura-los, sendo este um processo essencial, mas que não altera a qualidade do produto.

Porque devemos evitar os ultraprocessados?

o  São ricos em açúcares adicionados, gorduras refinadas, sal e/ou aditivos e o consumo excessivo dos mesmos pode provocar excesso de peso, obesidade, acidentes e doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, diabetes e cancro

o  São artificialmente densos caloricamente

o  São muitas vezes pobres em nutrientes como fibra, vitaminas, minerais, etc.

o  São híper palatáveis (estratégias da indústria alimentar) e podem inibir os mecanismos fisiológicos da saciedade

o  Substituem o consumo de alimentos reais

o  Têm maior disponibilidade do que os alimentos reais

o  Têm maior publicidade e marketing do que os alimentos reais

 

Resumindo e concluindo, devemos nutrir o nosso corpo com alimentos reais e de qualidade sempre que possível. Os produtos processados devem ser a exceção (muito excecional) na nossa alimentação!

Fiquem atentos porque em breve venho falar sobre rótulos alimentares e dar-vos algumas dicas práticas para evitar o consumo de produtos ultraprocessados.

 

PS: Posso adiantar que não é assim tão complicado.

Bibliografia:

Por Leonor Tavares Costa, equipa Loveat

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