De volta á Ásia pelos sabores do Boa-Bao

Em Março de 2016 parti numa das minhas maiores aventuras. Fui com 3 amigas ao Sudoeste Asiático e tenho que confessar, por muito cliché que possa soar, que foi uma viagem extremamente marcante. Do que conheço da Ásia até agora, tudo me apaixonou, desde o choque cultural, ao clima, ás pessoas, ao budismo, ao contraste de culturas, e claroooo á comida!!

A nossa viagem foi em regime mochilão, super descontraída (aka Low Cost), muito planeada (das coisas que acho mais divertidas) e apesar de ter sido muito turística, sinto que foi extremamente completa e local.

Começamos pela Tailândia

A primeira paragem foi Bangkok. Foi um choque de culturas e até de temperatura. Passámos do frio de Novembro em Lisboa para um calor insuportável, uma cidade cheia de confusão, com uma arquitectura completamente diferente da Europeia, muitos templos lindos e uma dinâmica incrível. Adorei a cidade e recomendo imenso que fiquem na zona mais antiga (onde ficámos) e onde se sente pouquíssimo o turismo sexual (existe imenso na Tailândia). Há variadíssimos restaurantes, mercados, comida de rua e lojas com tudo o que possam imaginar a preços baratíssimos.

Daí apanhámos um comboio até Chiang Mai. Foram 12h de viagem, num comboio com camas e um extra de pequenas baratinhas (não nos fizeram mal nenhum e se forem no mood certo aprendem a relativizá-las). Chegámos a um paraíso de selva, meio reggae, super relaxado, com o melhor brunch do mundo, e onde vivi a melhor experiência de sempre no que toca a animais selvagens! Fomos a uma reserva natural de elefantes, passámos um dia com eles naquela comunidade, até banho tomámos. É das memórias mais espectaculares que tenho (e eu tenho o melhor cão do mundo). Ah, e comi o caril mais picante da história do universo, num restaurante que adorámos e onde fomos todos os dias da viagem!

Next stop, Vietname. Aterrámos em Hanoi que, muito sinceramente, não gostei, Achei uma cidade barulhenta, suja, muito pobre, super confusa. Mas as pessoas…. são incríveis! De Hanoi fizemos uma Tour até Halong Bay (o sitio mais bonito onde estive até hoje, por favor, não percam se lá forem) e estivemos 2 dias num cruzeiro. Tivemos aulas de cozinha a bordo, pescamos umas lulas com a tripulação, andamos de caiaque, vimos grutas repletas de ostras, macacos selvagens, excursões de chineses absolutamente doidos, e uma vista inacreditável. Halong Bay é uma paz, um sitio místico com uma lenda (como tudo o que é asiático) com um dragão que ajudou os vietnamitas aquando da invasão chinesa cuspindo fogo sobre os barcos e abrindo mais de 2000 ilhas no mar. Verdade ou não, é de cortar a respiração!!

Ainda fomos passear de bicicleta pelos arrozais na parte mais terrea e andámos de barco no meio daqueles canais incríveis. Claro que comprámos os chapéus característicos e depois andámos 1 semana e meia a carregá-los. Mas valeu a pena, tenho um pendurado na parede da sala e adoro as memórias que me traz. Em Hanoi descobrimos um restaurante e fomos sempre ao mesmo (que boring eu sei) mas valia a pena, era fantástico e o serviço muito bom mesmo.

Depois seguimos para o Cambodja. Fomos só para Phnom penh porque queríamos ir a Angkor wat . O calor era ainda mais insuportável e senti, pela primeira vez, que estava mesmo num país de “terceiro mundo”. Muita miséria, uma cidade de estradas de terra batida, pessoas super simples, crianças mínimas a trabalhar em todo o lado. Um choque de realidades, mas adorei a cidade, a descontração das pessoas e a sua simplicidade. Se lá forem ver o nascer do sol nos templos, vão conhecer o Cambojiano mais simpático que está sempre a dizer para irmos ao seu café “007 Licence to coffee” e que diz “Angkor waaaaaaat” (as coisas que nos ficam na cabeça). Enfim, uma pessoa super querida, tratem-no bem, ele merece 🙂 A comida é excelente, muito á base de guisados picantes tipo caril mas com sabores diferentes, adorei.

E, por fim, as ilhas. Ah as ilhas! Encontrei a minha paz, o meu sitio, o paraíso. Se existir o conceito de Nirvana, posso dizer-vos que foi algo desse estilo. Completa sensação de presença, só queria estar ali, desfrutar e nunca mais sair dali. Foi aí que repensei regressar a portugal e tive uma vontade imensa de ficar mais 2 ou 3 meses. Mas, como a vida continua, lá tive que voltar. De volta aos pad thais e arroz salteados (que adoro) estivemos em bungalows no meio da selva, mergulhámos com peixinhos, andámos de barco com um “taxi boat” que fumava marijuana as 9h30 da manhã, vimos a água mais azul de sempre e estivemos numa piscina que dava para o mar (o hotel era 35€/noite com pequeno almoço. whaaaaat?! sim, incrível!). Adorei as phi phi por muito turísticas que sejam, recomendo imenso, sobretudo se gostam de festas na praia.

E das ilhas para Lisboa para passarmos o Natal com as famílias. O regresso foi super difícil, tenho que confessar, e nunca mais senti aquela total sensação de paz como lá (espero que não seja uma experiência daquelas que só nos acontece 1 vez na vida).

Para matar saudades, combinámos que iríamos jantar sempre a restaurantes asiáticos as 4 (e até quando estive no Japão, assim que encontrei um Tailandês em Tokyo, lá fui eu matar saudades). Por isso, hoje queria falar-vos também da experiência gastronómica mais incrível no que toca a comida asiática. Adoro o Boa-Bao, e é a segunda vez que lá vou sem as minhas miúdas companheiras de viagem para provar os pratos mais incríveis.

Este restaurante é um projecto feito à base de tradição, partilha e amor que ganhou corpo na mente de um casal – ele americano e ela holandesa, sabor nas mãos de um chef belga e vida no Largo do português Rafael Bordalo Pinheiro, no Chiado. É um verdadeiro roteiro do melhor que se come nas ruas da Tailândia, Vietname, Laos, Cambodja, Malásia, Filipinas, Índia, Japão e China… sem reinvenções, fusões ou interpretações. A cozinha do Boa Bao assume-se pan-asiática, respeitando as receitas tradicionais e ingredientes originais dos diferentes países da Ásia. O espaço também é super convidativo e recria o ambiente descontraído de um mercado de Saigão dos anos 20.

E o melhor? Agora abriu também no Porto, em plena baixa, na rua da Picaria. Entre pelo bar Neon encarnado e comece por experimentar os maravilhosos cocktails e por picar alguma finger food característica como o Gua Bao do Dragão com camarão agridoce, vegetais e abacaxi. Passando a ponte, podem perder-se na cozinha aberta e ver os chefes locais em acção (existe um chef de cada país e já arranham algum português suficientemente bom para vos contarem alguns segredos da cozinha asiática 😉 ).

Claro que já lá tinha ido pelo pad thai e pelo caril, mas hoje decidi experimentar várias coisas novas. Comi:

ENTRADAS

Sortido de Dim Sum Vegetariano (uma mistura de sabores que vai apaixonar até os mais carnívoros)

Tiras fritas de carne de vaca seca com sésamo estilo Isaan (carne de vaca seca? sim, estranho mas delicioso. O molho é ultra picante, cuidado)

GUA BAO

Bao do Dragão, com camarão agridoce, vegetais e abacaxi (uma comida para se deliciarem e sujarem as mãos. Adorei a mistura de sabores, aconselho imenso mesmo)

WOK
Japchae, noodles coreanos de batata doce com carne de vaca (noodles de batata doce? nunca tinha provado, assemelha-se muito ao pad thai, que é um endless love affair para mim, por isso adorei)

SOBREMESA
Carpaccio de ananás com loempia de chocolate e gelado de baunilha (ahhhhh que bom! Para quem é mais de salgados, como eu, é a forma perfeita de acabar a refeição, com o fresco da mistura de frutas e ainda uns mini crepes crocantes de chocolate preto)

BEBIDA
Mocktail Qíng (feito com maracujá, sumo de laranja e limão, 3 das minhas frutas de eleição, adorei este mocktail, onde o álcool não faz falta nenhuma e se ficarem sentados bem perto do bar, têm uma surpresa de casca de ananás ainda a fumegar deixando um cheiro delicioso pelo ar).
Tanto em Lisboa como no porto, a cozinha está aberta de domingo a quarta feita das 12h às 23h30; e de quinta feira a sábado das 12h às 00h30.  Mas não vão muito tarde, o Boa Bao não aceita reservas e enche facilmente 😉 Se quiserem saber mais sobre o Boa-Bao podem ir a www.boabao.pt 
Depois de escrever tudo isto estou a segundos de marcar uma nova viagem á Ásia, as saudades são imensas por isso ainda bem que existem espaços como estes que nos fazem recordar e saborear tudo de novo. Agora tenho é que ter juízo que a minha próxima viagem vai ser á América do Sul e preciso de me sustentar durante esse mochilão.
Um beijinho, Mafalda
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