Kombucha, o novo superalimento?

Kombucha, o novo superalimento?

A dieta é uma das principais influências na microbiota (microrganismos que se encontram no intestino) intestinal e muitas das bactérias que são ingeridas podem unir-se temporariamente a esta afetando, possivelmente, o seu comportamento. A fermentação dos alimentos é um processo usado desde há milhares de anos como uma forma de preservar alimentos. Este processo é realizado por microrganismos (como bactérias) ou células presentes nos produtos lácteos, nos vegetais ou até mesmo nos chás (como é o caso do Kombucha). Estas bactérias encontram-se em grande quantidade nestes alimentos fermentados sendo denominadas por probióticos. Os probióticos têm uma série de efeitos benéficos para a saúde, incluindo a melhoria de situações de obstipação, diarreia, melhoria dos sintomas de inflamação intestinal (como Doença de Crohn, colite ulcerosa, síndrome do cólon irritável, entre outros), e prevenção de alergias em crianças. Desta forma, a suplementação de probióticos tem mostrado que melhora a função do sistema imunitário, melhora os sintomas da intolerância à lactose, e previne infeções ou doenças causadas por microrganismos.

O Kombucha é uma bebida feita a partir da fermentação do chá (geralmente chá preto ou chá verde e chá de Oolong) e açúcar, com uma cultura simbiótica de bactérias e leveduras (denominada por “SCOBY”), geralmente por 7/10 dias. O SCOBY é um biofilme de microrganismos que se assemelham à cabeça de um cogumelo. Compreende várias bactérias de ácido acético e leveduras. Após o processo de fermentação, o Kombucha torna-se numa mistura que inclui açúcar, polifenóis, ácidos orgânicos, fibras, etanol, aminoácidos, minerais como cobre, ferro, magnésio e zinco, vitaminas, entre outras. O Kombucha é popular por ser um alimento funcional devido aos seus benefícios para a saúde, ainda assim, faltam evidências cientificas diretas que comprovem estes mesmos benefícios.


São alguns exemplos:

  1. Potenciador de imunidade

O intestino é responsável por cerca de 70% do sistema imunitário, o que significa que quando suplementa o seu intestino com probióticos e/ou com alimentos ricos em probióticos, como o kombucha, também está a cuidar do seu sistema imunitário.

  1. Atividade antioxidante

Devido à presença de polifenóis, que podem ser encontrados no chá preto e verde e que contribuem para a proteção do fígado do stress oxidativo e do dano causado pelo excesso de toma de certos medicamentos.

  1. Redução dos níveis de colesterol

Estudos realizados em animais concluíram que o Kombucha é eficaz em manter os níveis de colesterol adequados ao reduzir o LDL (“mau colesterol”) e aumentar o HDL (“bom colesterol”). Isto deve-se ao facto do Kombucha conter ácido glucurónico, uma substância que neutraliza os depósitos de colesterol e transforma-os num composto solúvel em água. Por outro lado, aumenta a produção dos ácidos biliares (que também se encontram no Kombucha) que reduzem o chamado “mau colesterol” no sangue.

Não existe propriamente uma dose diária recomendada de Kombucha mas sabe-se que até 110ml desta bebida por dia não reportaram quaisquer efeitos nocivos.


Bibliografia

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Ernst, E. (2003). Kombucha: a systematic review of the clinical evidence. Forsch Komplementarmed Klass Naturheilkd; 10(2): 85-7.
Gavura, S. (2013). Kombucha: A symbiotic mix of yeast, bacteria and the naturalistic fallacy.Science-based Medicina, recuperado a 27, Junho, 2019, em: https://sciencebasedmedicine.org/kombucha-a-symbiotic-mix-of-yeast-bacteria-and-the-naturalistic-fallacy/
Kapp, J.; Sumner, W. (2018). Kombucha: a systematic review of the empirical evidence of human health benefit. Annals of Epidemiology, 30: 66-70.

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